Sem Tradução

by Fernando Brandão

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about

Original songs in Brazilian music styles.

credits

released September 30, 2015

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all rights reserved

about

Fernando Brandao Boston, Massachusetts

Flutist, composer, author and educator Fernando Brandão is from Rio de Janeiro, Brazil. He leads the Fernando Brandão Ensemble, which has recently been featured at the First Cambridge Jazz Festival and the Isabella Gardner Museum. Mr. Brandão is an Associate Professor at Berklee College of Music and a faculty member of the Community Music Center of Boston. ... more

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Track Name: Brilho
Brilho
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

Talvez fosse o mar, apenas.
Esse nada dizer entre risos,
essa vertigem a despedir-se
na névoa que se dissipa
aos pés da madrugada,
ou simplesmente nada.

E trazer consigo o sabor
do maracujá, o café puro
e o dizer bobagens em
passos sem destino.

Não sei se era isso,
ou apenas você sorrindo.
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Spark
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

Maybe it was only the sea.
This nothingness said in between laughs,
this vertigo saying farewell
in the fog that dissipates
at the feet of dawn,
or simply, nothing.

And bringing with it the taste
of passionfruit, pure coffee,
and silly talks,
walking without destination.

I am not sure it was this,
or just you, smiling
Track Name: Paralelepípedos
Paralelepípedos
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

O corpo esvazia
e busca mais cor.
Sentir a pele roçar
na palma ressecada
e úmida após
libertar-se do bolso.

Ela dança

Motivo de calores.
Odor oculto que guarda
debaixo da saia rasgada.

A unha puxa, clama, traz
o peso para si e respira.

Ela foge

O tumulto surge e traz
mais desejos.

Agora rumo ao nada.

Lá, a carne treme novamente.
Olhos pedintes (talvez mentissem)
se abriam para o corpo
cansado das horas.

Tarde para saber

E aquele frio, o rádio cuspindo violinos
e a garganta seca.
---------------------------------------------

Cobblestones
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

The body empties out
and searches for more color.
One feels the skin rubbing
on the dried palm,
humid, after
freeing itself from the pocket.

It dances.

Reasons for heating up.
Hidden scent that guards
beneath the torn skirt.

The fingernail pulls, claims, brings
the weight on itself and breathes.

It escapes.

Turmoil arises and brings
more desires.

Now, toward nothing.

There, the flesh trembles again.
Begging eyes (they might be lying),
open themselves to the body,
tired from the hours.

Too late to know

And that chill, the radio spitting violins,
and the dried throat
Track Name: Vem
Vem
music and lyrics by Fernando Brandão

Qual é o gosto que o desejo tem
Que quando passa, rindo com desdém
E que me olha como um joão-ninguém 
Nem mesmo sabes que eu te quero bem

Larga de medo, saia desse trem
Que não apita, nem parada tem
Você não sai desse belenguedem 
Vem pro meu barco, que eu te levo além

Entre dois rios, lá por Santarém
A lua olhando, dançamos tão bem
Nessa viagem, o sentimento vem
E num doce balanço, vamo’ até Belém

Meu coração batendo a mais de cem
Rouba-lhe um beijo e teu olhar também
Você se entrega, sem nem mais porém
E eu te pego rindo assim como um neném
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Come
music and lyrics by Fernando Brandão

What is the taste desire has
When it passes by, laughing with disdain
And looks at me like a Joe-nobody
You don’t even know that I care for you

Don’t be afraid, get off this train
That does not whistle, and does not stop anywhere
You are stuck going nowhere 
Come to my boat, I will take your further on

Between two rivers, around Santarém
The moon watching us, we dance so well
During this journey, love will come
And in a sweet motion we get to Belém

My heart beating past one hundred
Steals a kiss from you, and your eyes too
You give in, with no ifs, ands or buts
And I catch you laughing like a baby
Track Name: Noite Branca
Noite Branca
music by Fernando Brandão
lyrics by Robson Santiago & Fernando Brandão

Dorme o luar
sob a noite branca
que esconde o sol
sob o tempo
que já não passa 
no meu portão

Ah, se eu fosse o Tempo
eu buscava o Vento
para lhe soprar 
as lembranças
do velho encanto
seu sorriso, um manto
que o frio 
levou

Quero te ver na luz do luar
iluminando mares e rios
Te aquecer, beber do teu vinho
nesta noite fria
é o que mais preciso

E ainda vejo
a estrela cadente
que com seus olhos
você desenhou
um brilho tão claro
que me despertou
e lhe assustou

Dorme a esperança
Sob a noite frágil
abriga o querer
guardada no tempo
silente à espera
do teu coração

Ah, se eu fosse o Tempo
eu buscava o Vento
para lhe soprar
as lembranças 
do velho encanto 
e este acalanto
que em mim
ficou

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White Night
music by Fernando Brandão
lyrics by Robson Santiago & Fernando Brandão

Moonlight sleeps
beneath the white night
that hides the sun
beneath Time
which does not pass by  
my gate anymore

Ah, if I were Time
I would search for the Wind
to whisper to you memories
of the ancient enchantment
Your smile, a cloak
that the cold
took away

I want to see you in the moonlight
illuminating seas and rivers
I want to warm you up, drink from your wine
On this cold night
It is what I need the most

I can still see
the shooting star
that you drew
with your eyes
A spark so bright
it woke me up
and scared you away

Hope sleeps
beneath the fragile night
it shelters love
kept away by Time
silently waiting
for your heart

Ah, if I were Time
I would search for the Wind
to whisper memories to you 
of the ancient enchantment
and this lullaby
that abides in me
Track Name: Pesca em Alto Mar
Pesca em Alto Mar
music by Fernando Brandão
lyrics by Rosangela Santiago & Fernando Brandão

Dia de sol, vem convidar
Céu azul colorindo no mar
Na areia junto aos Marimbás 
Verde sereno pra se navegar

Sai o barco pesado, vai bem devagar
Abraça seus filhos, com a mãe Iemanjá
Ilhas brancas nos deixam passar
Vara, linha, carretilha no ar
De tantas estórias sentidas
motor já parado e o menino à espera
da guia do navegador
Saudades do pai pescador

Lula de isca na linha de fundo
Balanço das águas à espera
Cherne, Badejo, Tainha, Robalo
Tirivira, Linguado, Cavala e Dourado, lembro

De tantas estórias vividas
Cação lado a lado, e o menino olhando
a calma do navegador
salve meu pai pescador

(depois da repetição)
De tantas estórias sentidas
motor já parado e o menino à espera
da guia do navegador
Saudades do pai pescador

Foi no mar que meu pai me ensinou
A nadar, a pescar, eu sou
Foi pro mar para onde voltou
Com as canções Dorival cantou
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Fishing in High Seas
Fernando Brandão/Pedro Lago

Sunny day, comes to invite
Blue sky coloring in the sea
By the sand, near Marimbás 
Serene green to navigate

Heavy boat moves out slowly
Hugs its sons, together with mother Iemanjá
White islands wave us by
Fishing rod, line, and reel in the air

Calamari as bait in the deep
Rocking waters, waiting for
Cherne, Badejo, Tainha, Robalo
Tirivira, Cavala, Linguado and Dourado

I remember so many stories I lived
Cação, side by side, and the boy, eyeing
the calm of the navigator
Long live my father, the fisherman

(after repeat)
I remember so many heartfelt stories
The motor has already shut down, and the boy waits for
the navigator’s guidance,
Longing for his father, the fisherman

It was in the sea that my father taught me
To swim, to fish, to be
It was to the sea that he returned
With the songs Dorival sang
Track Name: Brazilian Jazz, song, maxixe, samba, - Sem Tradução
Sem Tradução
music and lyrics by Fernando Brandão

Seu sotaque, seu balanço,
seus trejeitos de cantar
Que saudades do seu modo
tão bonito de falar

Charmosa, sedutora
muita prosa no seu tom
Preguiçosa, desleixada,
não descure do seu dom

Navegas com liberdade
entre modas e matizes
namoras estrangeiros,
mas não esqueça das raízes,

Mas não caia
nessa teia
do falso exotismo
da língua alheia.

Eu prefiro você
com as malícias regionais
trocando S’s e R’s,
e os verbos sem plurais

Me dá um beijo de língua,
sabor de nativa mistura
com todos seus maneirismos
és poesia pura

Me dá um beijo de língua,
deliciosa moldura
expressão arquiteta
escultura nua

Reconheça
e me faça a tradução
não corrompa com a beleza
da beleza do teu som

Quero um abraço de sotaques,
e um beijo mais profundo,
com sua língua verdadeira,
de Brasil em nosso mundo

Só peço que não me troques,
o seu S pelo Z,
antropofágica cultura
eu quero comer

Só não me venhas, querida
boicotar nosso dizer
antropológica cachaça
não vá esquecer

Índias, brancas,
cablocas e negras,
cafuzas, mulatas,
miscigenação caseira

De violenta impureza
discriminada riqueza
despojada de nobreza
e ainda vista com frieza e dor

Gingando, subindo ladeira
sorriso gritando na feira

Com mandinga e capoeira
roda de choro na mesa
samba de roda é pureza
dança frevo e gafieira
sai mais uma saideira

A palavra brasileira
é a língua mais brejeira
e para com essa besteira
de mania estrangeira sem valor

minha Brasil, brasileira
minha Brasil
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Without Translation
music and lyrics by Fernando Brandão

Your accent, your swing,
your ways when singing
I miss so much
your beautiful way of speaking

Charming, seductive
much vanity in your tone
Lazy, sloppy,
don’t neglect your talent

You navigate freely
among fashions and hues
you flirt with foreigners,
but don’t forget your roots,

But do not fall
into this web
of the false exoticism
of foreign tongues.

I prefer you
with your regional guiles
mistaking S’s for R’s,
and the verbs without plurals

Kiss me with your tongue,
flavor of native blend
with all your mannerisms
you are pure poetry

Kiss me with your tongue,
delicious frame
architect expression
nude sculpture

Recognize it
and make the translation
don’t corrupt the beauty
of the beauty of your sound

I want a hug of accents,
and the deepest kiss
with your truest tongue
of Brazil in our world

I only ask that you don’t switch,
your S for the Z,
cannibal culture
I want to eat

Just don’t begin, my dear
to boycott our speech
anthropological cachaça,
do not forget

Indians, whites,
cablocas and blacks,
cafuzas, mulatas,
homemade miscegenation

Of violent impurity
discriminated wealth
stripped of nobility and still seen with coldness and pain

Swinging, climbing up the hills
smiles screaming on the marketplace

With wizardry and capoeira
choro-jam around the table
samba de roda is purity
dancing frevo and gafieira
call one more time the last call

The Brazilian word
is the most mischievous language
stop this nonsense fad
for worthless foreign stuff

my Brazilian Brazil
my Brazil
Track Name: Lençóis
Lençóis
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

Eram os desenhos espalhados
em tua pele e o gosto de
cachaça em nossas línguas.

Era teu corpo despido
virando,
e tua mão no meu rosto
estalando.

Eram teus olhos negros fechados
gostando,
era teu ventre salgado
indo e voltando.

Era a suíte para cello de Bach
tocando,
era teu sono resistindo,
eu, implorando.

Era teu corpo quente
escrito esculpido,
era a noite que tudo assistia
sorrindo e sugando.
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Sheets
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

The patterns scattered
over your skin, and the taste of
cachaça on our tongues.

Your naked body
turning,
and your hand snapping
on my face.

Your black closed eyes
enjoying it,
your salty belly
coming and going.

Bach’s cello suite
playing,
you, resisting sleep,
I, imploring.

Your warm body
written, sculpted,
the night watching it all
smiling and sipping.
Track Name: Canta Tua Estória
Canta Tua Estória
music and lyrics by Fernando Brandão
Não faça guerra, não
me dá tua mão
me conta tua estória
que eu quero te ouvir

Depois lhe direi
tudo que vi
da riqueza das ruas
das danças e velas
que eu conheci

Mas agora me diga
o que é que te aflige
o que ofereço
é te convidar

abraça tua raiva, ecoa teus gritos
de teus sobressaltos, arranca o ritmo
encara o medo, e o convida a dançar

De teus desconsolos, faça poesia
suspiros e choros, a melodia
escreva os acordes do que lhe agonia
virando o momento com amor e harmonia

e se a tristeza atormentar
canta tua estória sem amenizar
que a verdade é a dor de se conciliar
e a vida tem mais, e não deixa esperar
me dá sua mão, vem pra roda sambar

inspira o silêncio
e escuta vibrar
o teu sentimento
cantando no ar

Canta com alegria
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Sing Your Story
Fernando Brandão/Pedro Lago

Don’t make war, no
give me your hand
Tell me your story, I want to listen to you

I will tell you later of all I’ve seen
of the street treasures,
of dances and candles
I have known

But now, tell me what is troubling you
What I can offer is an invitation

Hug your rage, echo your screams
From your startlings, rip out the rhythm
Face the fear, and invite it to dance

From your sorrows, make poetry
From sighs and cries, melody
Write the chords of your distress,
Turning around the moment
with love and harmony

And, if sadness comes to torment you,
Sing your story without softening it
‘Cause truth is the pain of conciliation
And there's more to life,
And there's more to life, and it won't let you wait
Give me your hand, come to the circle to samba

Breathe in the silence
Listen to its vibration
Your feelings singing in the air

Sing with joy
Track Name: Anarquistas Coroados
Anarquistas Coroados
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

E lá fomos nós.
Percorrer os arredores
do cinema Odeon.
Lá onde um velho
pedia água no botequim
e o batalhão silenciava
em segredos.
Lá onde a luxúria escorria
pelas mesas do hotel para
solteiros e a Lapa começava
a ferver em utopias.
Lá fomos nós.

Na gênese de pequenos universos
que se entreabriam nos detalhes.
Passo a passo pela madrugada,
que nos oferecia um gosto amargo
e era bom e crescia.

Lá onde as imperfeições
junto aos odores das calçadas
formavam uma ópera de espantos,
um drama da desgraça
e da beleza das vísceras.

Seguimos entre sons e rutilamentos,
pelas luzes das barracas
e os bares cheios.
Tropeçamos nos meios fios,
rindo dos problemas,
como quem se liberta
das masmorras.

E nos embebedamos como
dois bárbaros exaustos,
trincando copos,
traçando mentiras,
tecendo sonhos,
cuspindo fogo,
fora do veneno,
dentro do grito,
na coroação da
nossa anarquia.
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Crowned Anarchists
music by Fernando Brandão
lyrics by Pedro Lago

And there we went on.
Moving through the area around the Odeon movie theatre.
There, where an old man
asked for water in a bar
and the crowd went silent
with secrets.
There, where lust poured out
through the tables of the hotel for singles, and Lapa began
to seethe in utopias.
We kept on going.

Through the genesis of small universes
that opened up in details.
Step by step, through dawn
that offered us a bitter taste,
and it was good, and it grew.

There, where imperfections
near the odors of sidewalks
formed an opera of amazement,
a drama of disgrace
and the beauty of guts.

We moved on, between sounds and glitter,
through the lights of the stalls
and the crowded bars.
We stumbled on the curbs,
laughing at problems,
as if escaping the dungeons.

And we would get drunk like
two exhausted barbarians,
rubbing glasses,
plotting lies,
weaving dreams,
spitting fire,
outside the venom,
inside the scream,
in the coronation of
our anarchy.